Local: FORTALEZA / SESC - CENTRO / 21 DE AGOSTO / 19:00HS
(APRESENTAÇÃO GRATUITA E AO VIVO DAS DRAMISTAS DE TUCUNS)
Márcio de Araújo Pontes estava decidido a pesquisar sobre o reisado quando se deparou, em 2004, com as dramistas de Tianguá, cidade onde nasceu e mora. Grupos de mulheres que se dedicavam, nas respectivas comunidades, a manter viva uma tradição tão rica quanto desconhecida.

A pesquisa, que foi apresentada como trabalho de conclusão do curso de especialização em Arte Educação, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), virou livro graças ao V Edital de Incentivo à Cultura, lançado no ano passado pelo Governo do Estado.
"Logo após a defesa, em 2005, recebi da banca uma carta de recomendação para publicação", recorda. A oportunidade do edital surgiu no ano passado. O resultado final, "O Drama em Si", será lançado, hoje, a partir das 19 horas, no Sesc Centro. De acordo com Márcio Pontes, a ideia original era estudar os reisados, tradição bem mais visitada e conhecida pelo público. "Nem sabia o que eram as dramistas, mas, durante a pesquisa, recebi a sugestão de estudá-las e aceitei o desafio", lembra o autor.
Ele conta que, naquela época, escolheu três grupos para estudar. Todos estavam desativados e não se apresentavam mais. Um deles, das Dramistas do Sítio Tucuns, aliás, retomou as atividades e faz show durante o lançamento do livro.
Márcio ressalta que uma de suas maiores dificuldades foi encontrar bibliografia relacionada ao tema. "A maior dos livros publicados e trabalhos já realizados aborda os reisados. Encontrei apenas uma outra pesquisadora estudando as dramistas", revela. "Espero, com o livro, estar contribuído neste sentido".
O trabalho foi construído em cima de entrevistas com dramistas e outros integrantes das comunidades nas quais os grupos estão inseridos. Memórias, práticas e experiências de vida ajudaram a formar o corpo do material.
A pesquisa analisa as funções das mulheres dramistas - apenas elas desempenham os papéis principais; os homens tocam os instrumentos - e a trajetória dos dramas na comunidade de Tucuns (distante cerca de 20 quilômetros da sede, Tianguá).
Márcio investigou o drama como uma manifestação cultural e buscou descobrir de que forma essa ação se configura na dramaturgia brasileira como veículo de comunicação, resistência, representação, ocupação, diversão, brincadeira e outras características que foram analisadas frente às experiências vivenciadas pelas personagens.
FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE